(Extraído do Gazeta do Povo) A rodada de pesquisas da Quaest divulgada ao longo da última semana em 23 capitais do Brasil mostrou cenários distintos de disputas pelas prefeituras nas eleições de 2024. Enquanto há cidades em que um candidato está muito à frente dos oponentes, há outras em que o cenário está ligeiramente favorável a alguém. E há também situações em que a preferência do eleitorado aponta para um embate imprevisível, que será decidido voto a voto.
As pesquisas foram contratadas pela Rede Globo e afiliadas ao redor do país para medir a temperatura do cenário eleitoral a pouco mais de um mês para a votação no primeiro turno do pleito, marcado para 6 de outubro. A Quaest ainda irá às ruas mais duas vezes para verificar a evolução da preferência dos eleitores nas capitais.
A maioria dos levantamentos divulgados pelo instituto têm margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos — em Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco a margem foi de 3,7 e em Macapá foi de 4 pontos percentuais. Como base para a construção dos cenários desta reportagem, foram usadas as pesquisas estimuladas, quando os nomes dos candidatos são apresentados previamente para escolha do eleitor. A metodologia de cada pesquisa mencionada pode ser consultada ao fim do texto.
Atuais prefeitos abrem ampla vantagem em nove capitais
Em nove capitais brasileiras a disputa à cadeira de prefeito parece estar encaminhada, segundo os levantamentos da Quaest, sendo que em oito delas o líder nas pesquisas está concorrendo à reeleição. Em algumas, a distância para o segundo colocado é tão expressiva que a possibilidade de haver segundo turno é praticamente nula.
O caso mais emblemático é o de Macapá, onde o atual prefeito Dr. Furlan (MDB) está com 91% das intenções de voto — os empatados numericamente em segundo lugar estão com 2%. Ainda na região Norte, Arthur Henrique (MDB) desponta com 65%na pesquisa da Quaest, encaminhando a reeleição em Boa Vista.
Em Porto Velho, Mariana Carvalho (União Brasil) somou 51% da preferência, com possibilidade de definir a disputa no primeiro turno — o oponente mais próximo é Léo Moraes (Podemos), com 18%. A situação também está favorável a João Campos (PSB), que somou 80% da preferência do eleitorado em Recife na sua caminhada para continuar à frente da prefeitura da capital pernambucana.
Seguindo no Nordeste, o atual prefeito de Maceió, JHC (PL), somou 74% das intenções de voto. Em Salvador, Bruno Reis (União Brasil) está com 66% da preferência, encaminhando sua reeleição. Cícero Lucena (PP), atual mandatário em João Pessoa, somou 53% na pesquisa da Quaest e tem chances de vencer já no primeiro turno.
Na região Sudeste, o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), está conseguindo manter uma distância segura para os adversários. Na pesquisa mais recente, ele apareceu com 60% das intenções de voto — Alexandre Ramagem (PL) somou 9% e Tarcísio Motta (Psol) somaram 9% e 5%, respectivamente.
Em Vitória, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) atingiu 51% da preferência, abrindo vantagem significativa para João Coser (PT), que teve 17%.
Candidatos desgarram com alguma folga em oito capitais
Nas pesquisas divulgadas pela Quaest, oito capitais apresentam cenários nos quais um candidato aparece à frente dos demais com relativa vantagem, mas não suficiente, hoje, para possibilitar uma vitória no primeiro turno. Além disso, pela proximidade dos adversários, a situação pode se inverter até o dia do pleito.
Em Belo Horizonte, por exemplo, Mauro Tramonte (Republicanos) tem relativa vantagem para o segundo pelotão, mas longe de poder garantir uma vitória na primeira etapa da eleição. Ele somou 30% das intenções de voto, sendo que Bruno Engler (PL) e Duda Salabert (Psol) estão empatados numericamente em segundo com 12% e tecnicamente empatados com Fuard Noman (PSD), Carlos Viana (Podemos) e Rogério Correia (PT) que têm 9%, 8% e 6%, respectivamente.
A deputada federal Rose Modesto (União Brasil) lidera com 33% as intenções de votoem Campo Grande, mas vê Beto Pereira (PSDB) e a atual prefeita Adriane Lopes (PP) não tão distantes, com 15% e 14% da preferência, respectivamente. Em Manaus, o prefeito David Almeida (Avante) está na frente com 37%, enquanto o segundo pelotão tem Amom Mandel (Cidadania) com 17%, Roberto Cidade (União Brasil) com 15% e Capitão Alberto Neto (PL) com 12% na pesquisa.
Em Natal, Carlos Eduardo (PSD) está na liderança com 44% das intenções de voto, contra 15% de Paulinho Freire (União) e 14% Natália Bonavides (PT), empatados tecnicamente na segunda colocação. Em outras cidades do Nordeste, a disputa está mais parelha, quase dentro da margem de erro.
Em Fortaleza, Capitão Wagner (União Brasil) está com 31% da preferência, enquanto o atual prefeito José Sarto (PDT) soma 22%. A distância é menor em Teresina, onde Silvio Mendes (União Brasil) aparece com 46% das intenções de voto e Fábio Novo (PT) tem 37%. Mais próximas ainda estão Emília Corrêa (PL) e Delegada Danielle (MDB) em Aracaju, com 26% e 19%, respectivamente.
Na região Sul, o atual prefeito de Florianópolis, Topazio Neto (PSD), tem relativa vantagem para os adversários do segundo pelotão. Ele soma 40% da preferência dos eleitores, enquanto Dário Berger (PSB) tem 16% e Marquito (Psol) vai 13%.
Cenário é imprevisível em seis capitais brasileiras, segundo a Quaest
O cenário é imprevisível em seis capitais onde a Quaest realizou pesquisas em agosto. O caso mais notório está em São Paulo, com um empate triplo dentro da margem de erro. Guilherme Boulos (Psol) tem 22% das intenções de voto, Pablo Marçal (PRTB) soma 19% e o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) também tem 19%. Os três, apesar de um pouco desgarrados, ainda veem Datena (PSDB) com 12% e Tabata Amaral (PSB) com 8%.
Em Curitiba, o embate é ainda mais acirrado, com um empate quádruplo na primeira posição. O atual vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD) aparece com 19%, Roberto Requião (Mobiliza) tem 18%, Luciano Ducci (PSB) soma 18% e Ney Leprevost (União Brasil) vai a 14%, todos empatados dentro da margem de erro. Ainda na região Sul, o atual prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), está com 36%, empatado tecnicamente com Maria do Rosário (PT), que soma 31%.
Em Rio Branco, os dois candidatos mais bem colocados estão quase empatados numericamente. Enquanto o atual prefeito Tião Bocalom (PT) tem 44%, Marcus Alexandre (MDB) vai a 43%, empatados tecnicamente dentro da margem de erro. O cenário é bastante parecido em Belém, com o Delegado Éder Mauro (PL) somando 23%, empatado tecnicamente na liderança com Igor Normando (MDB), que soma 21%.
Já em Cuiabá, o empate é duplo na liderança, com Eduardo Botelho (União Brasil) somando 31% e Abílio Brunini (PL) indo a 25% — ambos veem Lúdio Cabral (PT) próximo, com 21% das intenções de voto.